Este fim de semana, fui até Elvas, cidade da minha família materna, desde que me lembro de ser gente, que tenho um contacto muito forte com essa cidade, e como não podia deixar de ser, fui até Badajoz, essa cidade lendária que associamos sempre aos caramelos.
Quando era miúda, e ainda havia os 3 meses de férias de verão da escola, eu e a minha irmã, íamos com a minha avó passar sempre uns dias até Elvas, e isso implicava ir sempre até às compras a Badajoz, antes de irmos, os meus pais tinham de ir ao notário e escrever numa folha de papel azul de 25 linhas (assim eram chamadas) em como autorizavam a saída das filhas para fora de Portugal, hoje em dia ir a Badajoz não tem qualquer importância, mas à 30 anos atrás, em que viajar era apenas privilégio de alguns, Badajoz parecia-me Paris, e eu sentia-me importante pois ia até ao estrangeiro, a uma cidade em que falavam uma língua estranha.
Tudo começava quando tínhamos de passar a fronteira do Caia, e tínhamos de parar,mostrar os documentos, ainda nem tinha BI e era a Cédula de nascimento e a autorização dos pais.
Chegados a Badajoz, íamos até às Galerias Preciados (ainda não havia o Corte Inglês), e comprava-se a água de colónia Fá, que vinha em frascos de 1 litro e o gel de banho, as latas de mélocoton (nunca se dizia pêssego), os chocolates e claro os caramelos esses rebuçados míticos.
E toda aquela cidade para mim era linda, em que eu sonhava que os meus pais compravam lá uma casa com uma varanda com um toldo, e eu podia ir para lá passar as minhas férias. Hoje em dia ao olhar para aquela cidade, acho-a escura, feia sem qualquer tipo de atracção, se antigamente adorava ir lá passar as minhas tardes em vez de ficar em Elvas, hoje é ao contrário, adoro ficar a passear em Elvas, tomar um café na Praça da República e apreciar os encantos da cidade, e a única razão que me faz deslocar a Badajoz é para abastecer o carro.